Imagens Expandidas: relato do primeiro encontro

Apresentação

O primeiro encontro do ciclo de oficinas do projeto Imagens Expandidas: oficinas livres de fotografia na Zona Portuária do Rio de Janeiro aconteceu no Instituto Pretos Novos (IPN), na Gamboa, e reuniu cerca de 15 participantes. As oficinas foram ministradas por Julia Grillo Botafogo e Luiza Cilente.

oficina3Primeiro encontro é sempre mais devagar. Começa com o silêncio de quem ainda não se conhece mas irá trocar muito em breve. É preciso quebrar o gelo. Foi assim: formamos duplas com os participantes presentes. Em quatro minutos, cada dupla pode partilhar um pouco sobre si e seus interesses. Depois, em uma roda, cada um se apresentou como se fosse o parceiro que acabou de conhecer.

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O cubano Aberlardo Morell transformou quartos de hotéis ao redor do mundo em câmeras obscuras.

O Coletivo FotoExpandida também se apresentou, explicando o projeto e a trajetória de suas experiências na Zona Portuária. Logo, uma breve introdução sobre a história das Câmeras Obscuras, que ao longo dos séculos chamou atenção de muitos cientistas e pensadores.  Astrônomos já a utilizavam no século XI para traçar o caminho das estrelas.

vera lutter 5

A alemã Vera Lutter construiu câmeras obscuras de grandes formatos para captar imagens de diversas países.

Mas além da física e astronomia, há diversos pontos em que a câmera obscura cruza com a arte (ou vice-versa). Se no século XIX  foi também usada por pintores, – que projetavam  paisagens que desejavam representar – até hoje alguns artistas a utilizam de diferentes formas, seja como ferramenta ou apenas conceitualmente. Dois exemplo, são o cubano Abelardo Morell e a alemã Vera Lutter.

Também foi apresentado o conceito de Fotografia Expandida e sua ampla possibilidade de conceituação. Muito se refere às técnicas artesanais, como as câmeras pinhole, reproduzidas diretamente a partir das Câmeras Obscuras. Outras possibilidades de experimentação manual em laboratório também abarcam esse conceito. Mas, se considerarmos a fotografia expandida de acordo com o conceito filósofo Villém Flusser – que propõe abrir a “caixa preta” para assim entender como funciona o aparelho e subverter o seu uso – podemos abarcar trabalhos de diversos artistas e fotógrafos que vão muito além do uso artesanal de câmeras. Exemplos são: Alexenadre Serqueira, Alice Miceli, Miroslav Tichý, Eustáquio Neves, Wayne Martin Belgere, Beate Gütschow.

Após essa reflexão, um retorno ao tema do projeto: a história e memória da resistência negra na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Os participantes assistiram ao vídeo que conta a história do Cemitério Pretos Novos, local onde se localiza o IPN. Neste terreno foram encontrados restos mortais de negros vindos da África, que não resistiam à viagem e morriam antes de serem comercializados.

 

A Experiência do silêncio

A dinâmica da construoficina5ção da câmera escura em silêncio surgiu numa oficina para surdos e mudos ministrada em Recife pelo fotógrafo Miguel Chikaoka e o grupo da pedagogia da luz. A ideia principal é usar apenas mãos, uma folha de papel cartão, um dobrador (um pequeno pedaço de madeira para ajudar a vincar as dobras), cola branca, pedaços já cortados de papel alumínio e vegetal. Nem régua, nem tesoura – os dedos medem, as mãos rasgam. A oficina é conduzida por uma pessoa em uma posição estratégica para que todos possam ver. As instruções são dadas: a importância de uma posição confortável para o trabalho, da visão, do silêncio, o porque do uso do material – o papel alumínio porque veda a luz, o papel vegetal

Nem régua, nem tesoura – os dedos medem, as mãos rasgam. A oficina é conduzida por uma pessoa em uma posição estratégica para que todos possam ver. As instruções são dadas: a importância de uma posição confortável para o trabalho, da visão, do silêncio, o porque do uso do material – o papel alumínio porque veda a luz, o papel vegetal porque é translucido – onde não podemos ver através dele, mas que passa luz através, suficioficina4ente para se formar imagens – e por último, caso alguém se perca ou não esteja acompanhando, o conselho para fazer “barulho”, “muito barulho” – com sinais. As informações dali em diante serão passadas pelas ondas de luz, e não sonoras.

Tudo é feito com calma e brincadeira, mas cada brincadeira tem um porque. O porque de ajoelhar – para jogar peso ao que esta dobrado. O porque de pisar na dobra enquanto cola – a cola branca que requer um pouco de tempo para secar. Enquanto se pisa, se brinca de equilibrista.

Após a construção, hora de testar, podemos falar da fisiologia do olho, como se forma a imagem, o porque da imagem de cabeça para baixo. Testamos com um pequeno furo, com um furo um pouco maior, com dois furos, com um rombo, depois colocamos a lente e descobrimos a diferença, o foco. Indicações são dadas: o tempo dos olhos se acostumarem, o cuidado de vedar pelas laterais a entrada de luz com as mãos.

Assim iniciamos uma nova experiência, com reflexão e movimento, fazendo da História nossa matéria prima.

 

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